Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Psittaciformes
Família: Psittacidae
 Rafinesque, 1815

Composição

2 Gêneros

Fotos | Sons

Psittacidae

Os Psittacidae incluem papagaios, tuins, araras, periquitos, maracanãs, jandaias e apuins. São algumas das aves mais inteligentes e que possuem o cérebro mais desenvolvido. Têm a capacidade de imitar, com grande fidelidade, todos os tipos de som, inclusive palavras. São animais longevos, cujas espécies maiores podem viver mais de 50 anos. São, sem dúvida, um grupo de aves distintas das demais, tendo uma série de características específicas.

Têm bicos altos e aduncos, cuja mandíbula superior é consideravelmente maior que a inferior e não está completamente fixa ao crânio, como acontece com outras aves, estando ligada a este por uma espécie de “junta”, que lhe permite movimentá-la para cima e para baixo. A mandíbula inferior pode mover-se lateralmente, o que torna o bico dessas aves, juntamente com sua ágil língua, um genial e versátil instrumento. A mandíbula superior de muitas das espécies possui serrilhas transversais que lhes permitem agarrar os alimentos com firmeza e quebrar-lhes facilmente a casca. A língua carnuda possui papilas gustativas. Os periquitos, por exemplo, tem papilas eréteis na língua, semelhantes a uma escova, que lhes permitem lamber o néctar e pólen das flores. As pernas, providas de tarsos curtos e de quatro dedos oponíveis, dois virados para frente e dois para trás (zigodactilia), são instrumentos perfeitos para segurar em ramos e para segurar os alimentos e levá-los ao bico, o que é único entre as aves.

A plumagem, bastante colorida na maioria das espécies, é mantida limpa com a ajuda do pó que se acumula na penugem do dorso. A glândula uropigial é pouco desenvolvida, por isso não enseba as penas.

A sua vida social é igualmente bastante interessante. Os casais formam-se quase sempre para toda a vida e são inseparáveis. As demonstrações amorosas podem ser observadas ao longo de todo o ano. As aves tratam da plumagem uma da outra, tocam os bicos e alimentam-se mutuamente. Nidificam quase invariavelmente em cavidades e põem ovos brancos. Apenas alguns constroem grandes ninhos esféricos nas árvores. Os filhotes, nidícolas, nascem desprovidos de penas e cegos, sendo alimentados pelos progenitores no ninho durante um longo período. A dieta é, sobretudo, de origem vegetal, embora também capturem insetos, especialmente durante a alimentação das crias. A grande maioria das espécies é muito sociável e vive em bandos ao longo de todo o ano, ou pelo menos após a reprodução.

Papagaios e os nativos do Novo Mundo

Os nativos do Novo Mundo utilizavam os papagaios como animais de estimação, mas também o usavam como alimento e suas penas eram muito apreciadas como adornos corporais. No século XVI, os portugueses aportaram no Brasil e tomaram para si este hábito de domesticar essas aves. Por um curto período da história o Brasil chegou a ser conhecido como “Terra dos papagaios” e nessa mesma época os papagaios chegaram a ser um dos principais “produtos de exportação” para as terras portuguesas. Algumas tribos venezuelanas tinham um modo peculiar de caçar papagaios. Amarravam um papagaio manso e treinado na copa de uma palmeira e o próprio índio se camuflava entre as folhas da planta. O papagaio começava a gritar bem alto pedindo ajuda e logo a copa estava cheia de companheiros solícitos. O índio ia simplesmente laçando as aves e quando estava satisfeito espantava o resto do bando, desamarrava seu papagaio e este parava de gritar.

Zoonose

A domesticação de psitacídeos trouxe com ela a transmissão de uma zoonose, a Psitacose. Os psitacídeos são reservatórios naturais do agente etiológico da doença, a bactéria Chlamydia psittaci. Essas bactérias estão presentes nas fezes dessas aves que depois de secas acabam se transformando em poeira dissipada em aerossóis que acabam sendo inaladas pelas pessoas. Há também a possibilidade de infecção pelo contato direto com secreções e feridas das aves. A doença se manifesta com sintomas comuns como febre, dor de cabeça, tosse e calafrios, mas pode ainda apresentar sintomas mais agravados como sangramento nasal e esplenomegalia. É geralmente bem combatida por pessoas jovens mas pode se agravar em idosos que não a tratem de forma adequada.

Ameaça de extinção

As espécies da família Psittacidae são as aves da fauna brasileira que mais são afetadas pela ação humana e com maior número de espécies registradas como ameaçadas de extinção. Essas espécies se encontram em vários níveis de risco: 24 espécies foram classificadas como quase ameaçadas, 37 se encontram vulneráveis, 24 estão em perigo eminente de extinção e 7 estão em situação crítica. Nos últimos 500 anos 5 espécies foram extintas. Os principais fatores que levam essas aves ao risco de extinção são a destruição de habitat e o tráfico ilegal para comércio de diversos fins.

Tráfico ilegal

As aves psitacídeas são um grande alvo do tráfico de animais, sendo que no mundo as aves da ordem perdem apenas para cães e gatos no que diz respeito à procura e comércio de animais de estimação. Além disso também são visadas por colecionadores de fauna silvestre e zoológicos. espécie Pyrrhura subandina, originária da Colômbia, não é avistada desde 1949. A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) não é mais encontrada em estado selvagem, sendo atualmente a espécie de psitacídeo mais ameaçada de ser extinta. A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leariem), corre um grave risco de extinção devido ao tráfico ilegal de animais, enquanto que a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyancinthinus) está criticamente ameaçada. A arara-azul-de-lear chegaria a valer 60 mil dólares enquanto a arara-azul-grande até U$25 mil.Para cada filhote que chega a um comprador é estimado que outros nove tenham morrido no processo de armazenamento e transporte. Os filhotes são retirados dos ninhos pelos criminosos e depois armazenados e transportados de forma nociva, o que acaba fazendo que grande maioria deles morra antes de chegar ao destino. Outra modalidade adotada pelos criminosos é o trafico de ovos, que é mais destinado ao exterior, uma vez que as viagens são mais longas e também exigem maior confidencialidade. Ao retirar os filhotes dos ninhos, os criminosos destroem a arvore que recebe o ninho ou o danificam, assim, criam um ciclo vicioso onde primeiro se perde o filhote e depois as gerações futuras, uma vez que o casal sempre retorna ao mesmo ninho para continuar sua vida reprodutiva. Tal situação favorece o risco de desaparecimento dessas aves de seu habitat. Pesquisadores reforçam que o único interesse dos traficantes é financeiro e não a intenção de criar os animais.

Espécies

Referências

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